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RIOS COM LUZES BREVES

"Há luzes de erva veloz
no coração dos peixes.
Há peixes de sombra atravessados
por uma luz finíssima, filtrada à porta do caos.
O casaco que visto ainda não serve
para fugir ao medo.
Rosa no púbis (ou apenas) trevo.
São de águas mórbidas o sonho
em que à noite te levo.
O que em mim melhor se lava
é um prego
escuro
e tem bichos à volta
como o desassossego.

Há rios que nunca noivam:
madastra de pão - o Tejo;
toiro moribundo - o Mondego."

Fernando Grade
Faino, 19 de Junho de 1987
in "Compra-me um doido"

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FERNANDO GRADE: Poeta, com vasta obra publicada, constituída por 28 títulos individuais, de onde sobressaem "O VINHO DOS MORTOS" (em 5.ª edição -- 1977-1979-1985-1986-1999), "SAUDADES DE SER ÍNDIO" e a antologia "25 ANOS DE POESIA" (1967-1987), que, saída em 1988, selecciona a essência da obra poética produzida por Grade entre 1962 e 1981, inéditos (1982-1987), retirados de livros como "SANGRIA" -- o seu livro de estreia, publicado na Colecção Poesia Verdade, Guimarães Editores, em 1962 -- , "A+2=Raiva" (Dilsar, 1970), "O Vinho dos Mortos", "Serenata ao Diabo" (1978), "Museu das Formigas" (1980) ou "Saudades de ser  Í ndio" (1981), sem esquecer o livro conjunto "Três  Poetas na Cidade" (1969) e o livro colectivo "DESINTEGRACIONISMO" (1965). No que se refere ao "DESINTEGRACIONISMO", que é, até agora, o último movimento da Poesia Portuguesa -- e quem diz Desintegr...