Avançar para o conteúdo principal

GEOGRAFIAS (Heróicos e Sáficos)

"«Sem mistério não há beleza. A beleza é o esplendor do mistério, não da verdade. O  próprio encanto das cousas jaz, no escuro, como que querer iluminar-se.»

(Teixeira de Pascoaes)


Nos bailes de Corínto, penso em corpos
que foram vento de água, voos planos,
e os beijos que soltei nasceram mortos,
porque os meus lábios nunca fazem anos.

Nas tardes lentas de Óstia, pelos bosques,
sonhei com peixes, imp'rador's romanos,
e fiz arder bandeiras nos deboches:
marfim, coxas gulosas, ricos panos...

Cresci com ódio, setas, com retratos,
poços de fumo, ao fundo de outros braços,
e as ninfas em que cri eram de tela.

Na praia de Óstia, mestre de ostras sou,
fui vagabundo de almas em Bruxelas,
inchei de medo e nunca tive dó."

Fernando Grade, Espargal - 10 de Junho de 1985
in "Viola Delta" 12º Volume.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Soneto de Natal

in PEQUENA ANTOLOGIA DE NATAL, 1977

Fernando Grade

FERNANDO GRADE: Poeta, com vasta obra publicada, constituída por 28 títulos individuais, de onde sobressaem "O VINHO DOS MORTOS" (em 5.ª edição -- 1977-1979-1985-1986-1999), "SAUDADES DE SER ÍNDIO" e a antologia "25 ANOS DE POESIA" (1967-1987), que, saída em 1988, selecciona a essência da obra poética produzida por Grade entre 1962 e 1981, inéditos (1982-1987), retirados de livros como "SANGRIA" -- o seu livro de estreia, publicado na Colecção Poesia Verdade, Guimarães Editores, em 1962 -- , "A+2=Raiva" (Dilsar, 1970), "O Vinho dos Mortos", "Serenata ao Diabo" (1978), "Museu das Formigas" (1980) ou "Saudades de ser  Í ndio" (1981), sem esquecer o livro conjunto "Três  Poetas na Cidade" (1969) e o livro colectivo "DESINTEGRACIONISMO" (1965). No que se refere ao "DESINTEGRACIONISMO", que é, até agora, o último movimento da Poesia Portuguesa -- e quem diz Desintegr...

RIOS COM LUZES BREVES

"Há luzes de erva veloz no coração dos peixes. Há peixes de sombra atravessados por uma luz finíssima, filtrada à porta do caos. O casaco que visto ainda não serve para fugir ao medo. Rosa no púbis (ou apenas) trevo. São de águas mórbidas o sonho em que à noite te levo. O que em mim melhor se lava é um prego escuro e tem bichos à volta como o desassossego. Há rios que nunca noivam: madastra de pão - o Tejo; toiro moribundo - o Mondego." Fernando Grade Faino, 19 de Junho de 1987 in "Compra-me um doido"