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Perguntando Sempre

"- E os crimes, meu general?
- Ah, isso foi há muito tempo... Já ninguém se lembra!"

Fernando Grade, Abril 1973, in O Vinho dos Mortos

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Soneto de Natal

in PEQUENA ANTOLOGIA DE NATAL, 1977

RIOS COM LUZES BREVES

"Há luzes de erva veloz no coração dos peixes. Há peixes de sombra atravessados por uma luz finíssima, filtrada à porta do caos. O casaco que visto ainda não serve para fugir ao medo. Rosa no púbis (ou apenas) trevo. São de águas mórbidas o sonho em que à noite te levo. O que em mim melhor se lava é um prego escuro e tem bichos à volta como o desassossego. Há rios que nunca noivam: madastra de pão - o Tejo; toiro moribundo - o Mondego." Fernando Grade Faino, 19 de Junho de 1987 in "Compra-me um doido"

Os Mortos de Suai ou Homenagem Latina a Ma'Hodu

No último trimestre de 1999, o «Diário de Notícias» convidou Fernando Grade para publicar um poema sobre Timor Lorosae. O poema, este que se segue, foi censurado. Nunca veio a lume...Entretanto o poema «Os Mortos de Suai ou Homenagem Latina a Ma'Hodu» foi enviado ao Xanana. Os Mortos de Suai ou Homenagem Latina a Ma'Hodu À memória do maior ficcionista português do século XX: José Rodrigues Miguéis "TUDO malhado a sangue, o coração atingido por facas balas sórdidas dobradas a rasgar a pele, a carne em larva (máscara), olhos castos esburacados. Chegaram então os mortos de Suai. Quando eu soube descia a avenida lisbonesa Almirante Reis, lembrei-me de ti oh Miguéis. Vinham de longe, apareceram pelo meio da tarde as bestas; não eram à solta pássaros densos nem vento d'asas a brilhar, era sangue bom escorrendo massacrado por hienas. E fui contigo (Zé Rodrigues) e com a dona Genciana e com o «Pata- -Choca» e descemos em Díli para lutar contra os chacais. E tínhamos ...