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OS SENTIMENTOS VÃO MUDANDO COMO AS ÁRVORES

"Os sentimentos vão mudando como as árvores,
ou não se movesse o gosto também.
Folha a folha os sentimentos passam
esquecem-se uns dos outros
redis rebeldes
letra beijo
carta certa mas curta de mais
ó canais de Amsterdam.
Os sentimentos descem ao fundo das cisternas
deixam uma vírgula aqui, cebola
espantada, acolá
ficou um seio
certa perna grácil
o cheiro de um lençol mal atado.

Tudo passa de burro
(com ou sem carroça).
Ciclistas velozes os sentimentos
mudam-se pela tarde dentro:
nenhum deles vestirá
- duas vezes seguidas -
a camisola amarela.

Digamos sem medo:
a civilização não é uma ideia alcatroada."

Fernando Grade, Estoril, Agosto de 1973, in "O Vinhos dos Mortos"

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